UM DOCUMENTO CHAMADO
ROTEIRO
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Fernando Marés de
Souza
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"Porque o roteiro é o sonho de um
filme"
Jean-Claude Carrière | ||
A grande maioria das pessoas nunca
segurou um roteiro nas mãos, mas se questionadas sobre o que é um, poucas não
tentariam responder. Muitos acertariam a resposta, poucos conseguiriam se
aprofundar na definição.
Alguns se
equivocariam, na crença que o roteiro é a história de um filme. O roteiro conta
a história de um filme, mas não é a própria história. A história contada em um
filme pode ser a definição de Argumento, mas isso também, já é outra
história.
Uma ida a
prateleira de livros pode clarear bem as idéias. Dicionários sempre são uma boa
ferramenta para autodidatas:
Definição
perfeita. O "etc" é uma bela sacada, pois se exime da responsabilidade pelo que
ficou de fora. Vamos tentar fazer justiça aos não discriminados e pensar nos
variados meios que se utilizam deste documento chamado de roteiro: cinema,
vídeo, televisão, rádio, quadrinhos, hipermídia (interativos como hipertexto,
games e cd-roms), e por que não, teatro, apresentações, eventos, shows, e para
não passarmos vexame: etc
Na prática, alguns
assaltos, assassinatos e atos terroristas também se utilizam de um roteiro, mas
melhor deixar isso de lado, pois este manual se propõe a ser sobre Roteiro
Audiovisual:
Certo, mas agora
temos que voltar a prateleira para saber o que é Audiovisual. Para nos poupar
disto, ofereço uma definição mais completa:
Devidamente alçado
ao panteão dos criadores de definições, vamos ver o que os teóricos sobre o
assunto podem nos contar:
Interessante esta
história de efêmero. Já ouvi dizer que o destino do roteiro é a lata de lixo
depois de ser utilizado, mas será verdade? Ainda não é o momento de responder.
Mas saiba que a maioria pensa assim:
Lindo e poético,
mas muito metafórico para um roteirista. A indústria exige algo mais simples e
direto:
Estrutura
dramática. Este autor gasta uma página e introduz uma dúzia de novos conceitos
para explicar o que é isto. Será que alguém consegue sintetizar? Sempre existe
alguém disposto a tentar:
Bem melhor.
Começo, meio e fim. Isto me lembra que a lista de definições pode ser
interminável, sendo que a semelhança entre elas é aparente.
Depois de tantas
definições, você pode usar um pouco de lógica aristotélica e construir a sua.
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Cinema é arte, sem dúvida, a sétima arte. Mas segundo Giba Assis Brasil, cinema é também indústria. É indústria pois precisa de meios de produção, acumulação de capital e divisão especializada do trabalho. E é a serviço desta indústria, que o roteiro exerce sua principal função.
O roteiro será o
documento chave, onde todos os outros profissionais envolvidos com a realização
de um produto audiovisual basearão seu trabalho.
A realização de um
produto audiovisual demanda um investimento de capital muito alto. O roteiro é a
maneira de pré-visualizar este produto, e minimizar os riscos de investimento.
O roteiro serve
então, como uma simulação de um produto audiovisual sonhado.
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O roteirista audiovisual tem sua origem nos dramaturgos do teatro clássico dos gregos, como Aristóteles, Ésquilo e Sófocles, entre outros. Mas também guarda a herança dos primeiros contadores de história, criadores de mitos de tempos imemoriais.
Com a popularização do cinema, através da sala escura dos
irmãos Lumière, uma nova profissão começa a se formar.
Este pessoal era formado geralmente por ex-atores de
vaudeville, que bolavam situações engraçadas para a câmera.
A profissão de Roteirista passa a ganhar forma, e o roteiro,
começa a ser a peça chave da indústria.
Mas apesar da importância de seu trabalho, o roteirista era
marginalizado. Dinheiro e prestígio não eram coisas comuns entre a maioria. Sem
conhecimento um do outro, vários roteiristas trabalhavam em múltiplas versões do
mesmo roteiro, créditos eram outorgados para parentes ou amantes, jornadas
abusivas de trabalho eram requisitadas. A tendência então era se organizar.
O Screen Writers Guild é criado em 1933 em Hollywood.
Roteiristas buscam melhores condições de trabalho e uma fatia maior dos lucros.
Em 1941, um histórico acordo com as companhias produtoras garantiu um piso
salarial, e a concessão de créditos passou para a jurisdição da Associação.
No final dos anos quarenta a sombra da caças as bruxas paira
sobre a Califórnia. O House Un-American Activities Committee (HUAC) começou a
apontar os dedos contra os ativistas do Guild os acusando de Comunistas. Muitos
profissionais tiveram de voltar para seus países, trabalhar com nomes falsos ou
fazer parcerias com roteiristas de fachada.
Em 1954, o Screen Writers Guild se funde ao Radio Writers Guild
e ao Television Writers Guild. A nova associação passa a se chamar Writers Guild
of America.
A profissão de Roteirista é regulamentada no Brasil em 1978,
com a publicação da Lei Nº 6.533 e do Decreto Nº 82.385, que dispõe sobre a
regulamentação das profissões de artista e de técnico em espetáculos de
diversões, e define a profissão do roteirista cinematográfico que: "cria, a
partir de uma idéia, texto ou obra literária, sob a forma de argumento ou
roteiro cinematográfico, narrativa com seqüências de ação, com ou sem diálogos,
a partir da qual se realiza o filme." Em 79, a Lei 6.615 e seu decreto 84.134/79
regulamentam a profissão do roteirista de televisão e de rádio, que: "escreve
originais ou roteiros para a realização de programas. Adapta originais de
terceiros transformando-os em programas." A Nova CBO - Classificação Brasileira
de Ocupações, do Ministério do Trabalho, publicada em 1994, tem como Família
2615 os Profissionais da escrita, que por sua vez tem como subdivisão o item
"2615-05 - Autor-roteirista", que tem como sinônimos "Adaptador de obras para
teatro, cinema e televisão, Argumentista-roteirista de história em quadrinhos,
Autor-roteirista de cinema, Autor-roteirista de rádio, Autor-roteirista de
teatro, Autor-roteirista de televisão, Autor-roteirista multimídia,
Dramaturgista"
Em 26 de julho de 2000, no teatro do Planetário da Gávea, no
Rio de Janeiro, com a presença de 73 roteiristas, é fundada a ARTV – Associação
de Roteiristas de Televisão, Cinema e outras mídias. Em 2006, visando melhorar a
identificação com roteiristas de todas as mídias, a Associação muda a sigla para
AR.
Em Agosto de 2006 é fundada a Associação de Autores de Cinema,
com o objetivo principal de profissionalizar a atividade e assegurar a boa
qualidade dos projetos e, por conseqüência, o crescimento da indústria
cinematográfica no Brasil.
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